Tolypeutes tricinctus Linnaeus


Nomenclatura e Classificação

Nome Científico

Tolypeutes tricinctus

Autoria

Linnaeus

Nome Comum

Tatu-bola

Descrição Taxonômica

Possui três bandas móveis na carapaça, mas já foram registrados indivíduos com duas ou até quatro bandas móveis. Tolypeutes tricinctus possui cinco dedos em cada membro anterior, enquanto T. matacus possui quatro. Em seus membros posteriores, assim como T. matacus, possui cinco dedos, sendo que o segundo, terceiro e quarto dedos são fundidos e o primeiro e o quinto são ligeiramente separados. A cauda é totalmente coberta por escudos dérmicos sendo quase inflexível (Nowak 1999). Em relação aos aspectos morfológicos, Reis et al. (2005) observaram uma variação no sentido de fechamento da carapaça, sendo majoritariamente no sentido destro (em relação a cabeça) e uma pequena variação em relação ao número das placas laterais das cintas. Apesar de a espécie possuir um padrão na distribuição das placas da cabeça, que é diferente da encontrada em T. matacus (Anderson Feijó, comunicação pessoal), o número e o arranjo específico das placas da cabeça é sempre diferente de um espécime para o outro, podendo funcionar como uma marcação individual. Massa: Entre 1,0 e 1,8kg (Marinho Filho et al. 2002). Comprimento total: Cerca de 30cm (Eisenberg & Redford 1999). Comprimento de cauda: Cerca de 6,5cm (Eisenberg & Redford 1999). 5,0 a 6,0cm (M.L. Reis, dados não publicados). Altura da orelha: 2,3cm (Wetzel 1985). 3,0 a 3,5cm (M.L.Reis, dados não publicados). 


História Natural

Forma de Vida

Vida Livre Individual

Alimentação

Redford (1985) classificou T. tricinctus como sendo insetívoro especialista. No Cerrado, alimenta-se principalmente de cupins (100% das amostras, 34% da frequência relativa e 80% da biomassa), porém outros invertebrados e material vegetal podem constituir a dieta desta espécie (Guimarães 1997). Esta espécie pode ainda utilizar frutos durante a época chuvosa (Machado et al. citado em Guimarães 1997, p. 48).

Comportamento

A espécie não é considerada de hábito fossorial (Santos 1993), pois não cava tocas, mas utiliza as feitas por outros animais (Guimarães 1997). Para abrigo também pode utilizar depressões do terreno ou se cobrir com folhas (Santos 1993). Em estudo em área de Cerrado com a presença de Pinus sp., o tatu-bola foi avistado ao longo de todo o dia, sendo mais registrado durante o período noturno (56%). Neste mesmo estudo, a espécie apresentou dois picos de atividade: um no período vespertino, entre às 14h e 18h e outro entre às 20h e 23h (Bocchiglieri 2010). Durante a época de acasalamento, observa-se mais de um macho acompanhando uma mesma fêmea (Moojen 1943, Santos 1993, Guimarães 1997, Bocchiglieri 2010, Marini-Filho & Guimarães 2010), o que facilita ainda mais a captura de vários exemplares por vez.

Reprodução

Tempo médio e intervalo de gestação: Provavelmente o tempo de gestação é de 120 dias, semelhante a Tolypeutes matacus, pois não há informações específicas de biologia reprodutiva para esta espécie (Medri et al. 2011). Número de filhotes por gestação: As fêmeas produzem, por ninhada, um ou, mais raramente, dois filhotes, que nascem completamente formados (Moojen 1943, Santos 1993, Guimarães 1997).

Origem

Nativa 


Habitat e Distribuição

Distribuição Geográfica (Estados)

TO BA SE PE AL RN CE PI MA AP PA RR AM AC RO MT MS GO PR SC RS SP MG RJ ES DF PB

Biomas

Caatinga  Cerrado 

Endemismo

Tolypeutes tricinctus é a menor, menos conhecida e única espécie de tatu endêmica do Brasil, pois a sua distribuição se restringe à Caatinga e ao Cerrado brasileiro (Pagliaet al. 2012).  Tolypeutes tricinctus vinha sendo considerado como endêmico da Caatinga (Wetzel 1985, Silva & Oren 1993, Santos et al. 1994), mas desde o primeiro registro para o Cerrado (Marinho Filho et al. 1997), outros achados confirmam que a distribuição da espécie avança para os Cerrados do Brasil Central, pelo menos até a região da divisa de Goiás, Bahia e Minas Gerais e, mais ao norte, nos cerrados do Tocantins, Piauí (Reis et al. 2002) e Maranhão (Oliveira et al. 2007).

Habitat/Substrato

TERRESTRE


Demografia

Esta espécie de tatu tem uma distribuição irregular e sua densidade populacional pode ser relativamente alta em algumas porções (Jader Marinho Filho, comunicação pessoa citado em Abba & Superina 2010, pag. 176), exceto em áreas onde a espécie é exposta à pressão humana, como, por exemplo, no norte da Bahia, onde sofre pressão de caça intensa. Entretanto, de maneira geral, é uma espécie considerada rara. Esta espécie teve 23,76% dos 362 registros de mamíferos de médio e grande porte feitos por censo em transectos lineares em cerrado de Jaborandi/BA (Bocchiglieri 2010). Estudos genéticos preliminares nesta mesma região apontam baixa diversidade genética. Contudo, estudos numa escala geográfica mais ampla são necessários antes de confirmar o padrão de baixa diversidade genética para a espécie (Moraes et al. 2012).A maior população conhecida da espécie no Cerrado, descoberta no final dos anos 90 na Fazenda Jatobá (Jaborandi – BA), com aproximadamente 90 mil hectares, atualmente está praticamente extinta devido à modificação do ambiente em área de monocultura mecanizada de grãos a partir do final da década passada. (M.L. Reis & A. Bocchiglieri, dados não publicados). As populações atuais de tatu-bola estão praticamente restritas às unidades de conservação na região da Caatinga e do Cerrado e em remanescentes naturais com baixa densidade humana, (M. L. Reis, dados não publicados). A densidade de T. tricinctus foi estimada em 1,2 indiv./km2 (N=46) através de censo por transectos lineares em uma área de cerrado do município de Jaborandi/BA (Bocchiglieri 2010). A tendência populacional é decrescente, devido a redução da área nativa de Caatinga, principal bioma de ocorrência para T. tricinctus (46,6% em 2009 – MMA1 2011) e também da perda de hábitats do Cerrado (54,8% em 2010), principalmente no oeste baiano e sul do Piauí (MMA2 2011), área de ocorrência da espécie. A alta vulnerabilidade à caça e o registro recorrente de extinções locais (Tabarelli & Silva 2002) também contribuem para essa tendência de redução populacional. Portanto, infere-se que nos últimos 27 anos, a espécie tenha sofrido uma redução de sua população em pelo menos 50%.


Ameaças

Fatores de Ameaça

As principais ameaças identificadas para o táxon foram: a caça e a perda de hábitat (agricultura, desmatamento e aumento da matriz energética). A caça predatória e de subsistência (carne) parece ter sido a principal ameaça à sobrevivência da espécie, seguida pela destruição e alteração do hábitat, sendo que esta é representada no Cerrado, atualmente, pela expansão da monocultura extensiva (Marinho Filho & Reis 2008). O tatu-bola não escava buracos e suas únicas estratégias de defesa são a fuga e o ato de enrolar-se no formato de uma bola. Mesmo correndo, em fuga, ele pode ser facilmente alcançado por uma pessoa; ao parar e se enrolar, quando acuado, pode ser apanhado, sem qualquer risco para quem o captura. A ocorrência de Tolypeutes tricinctus no passado em áreas onde ainda hoje se encontram outras espécies de tatus sugere que o tatu-bola seja uma das espécies de dasypodídeos mais sensíveis a alterações do hábitat (Marinho Filho & Reis 2008). Segundo Bocchiglieri et al. (2010) e M.L. Reis (dados não publicados), a substituição da vegetação nativa e dos plantios de Pinus spp. por soja em área de Cerrado no município de Jaborandi, BA, ameaçam a maior população já conhecida para a espécie no bioma. A baixa taxa metabólica (alimentação de baixo teor calórico), o pequeno tamanho de ninhada, o cuidado parental prolongado e longo período de gestação não permitem que a espécie tenha altas taxas intrínsecas de crescimento populacional, o que dificulta a recuperação da população sobre forte pressão antrópica (Santos 1994).


Usos, Manejo e Conservação

Usos

Caça predatória e de subsistência.

Manejo

Atualmente a Associação Caatinga, em parceria com a TNC (The Nature Conservancy) e o grupo de especialistas ASASG/IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza), desenvolve o Projeto de Conservação do Tatu-bola, cujo objetivo é promover a conservação do Tolypeutes tricinctus visando à manutenção da espécie na natureza reduzindo o seu risco de extinção. A área de intervenção consiste nos biomas Caatinga e Cerrado dos estados do Ceará e Piauí. Para os outros estados de ocorrência da espécie serão formadas parcerias ao longo do projeto (Associação Caatinga).

Presença em Unidades de Conservação

Parques Nacionais da Serra da Capivara (Vaz 2003, Olmos 1995, Perez 2008), Serra das Confusões (Silva et al. 2004, Henrique et al. 2007, Marinho Filho & Reis 2008) e Nascentes do Parnaíba (Zimbres 2010 – armadilha fotográfica, dados Instituto Onça Pintada) no estado do Piauí; Estação Ecológica da Serra Geral do Tocantins entre Tocantins e Bahia (Carmignotto & Aires 2011); Parque Estadual do Jalapão (TO, Reis et al. 2002, Marinho Filho & Reis 2008), Estação Ecológica do Raso da Catarina (BA, Silva et al. 2004), Refúgio da Vida Silvestre Veredas do Oeste Baiano (BA, Marinho Filho & Reis 2008, Abba & Superina 2010, p. 176; Paula et al. 2011), Parque Nacional Grande Sertão Veredas entre Minas Gerais e Bahia (Abba & Superina 2010, p. 176, Paula et al. 2011); Parque Estadual do Mirador no Maranhão (observado, Oliveira et al. 2007). Áreas protegidas com confirmação de extinção local do táxon: Área de Proteção Ambiental Chapada do Araripe (Tabarelli & Silva 2002) e Floresta Nacional de Negreiros (R. Barreto, comunicação pessoal), ambas localizadas no estado de Pernambuco.


Referências

Referências

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Fonte das Informações

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Fonte das informações nomenclaturais e de distribuição por UF. Catálogo Taxonômico da Fauna do Brasil. Disponível em: <http://fauna.jbrj.gov.br/fauna/>


As informações das espécies são provenientes da Flora do Brasil 2020 em construção e do Catálogo Taxonômico da Fauna do Brasil.

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