Saguinus bicolor Spix


Nomenclatura e Classificação

Nome Científico

Saguinus bicolor

Autoria

Spix

Nome Comum

Saium-de-manaus, Sauim-de-coleira, Sauim-de-duas-cores, Pied tamarin, Tamarin bicolore, Tamarino calvo

Descrição Taxonômica

Massa: Entre 450 e 600 gramas (Gordo 2012). Comprimento total: Cabeça-corpo: 208-283, cauda: 335-420 (Gregorin & Tahara 2008).


História Natural

Forma de Vida

Vida Livre Individual

Comportamento

Os sauins formam grupos entre dois e 13 indivíduos, sendo mais comuns grupos entre quatro e sete (Subirá 1998, Vidal 2003, Vidal & Cintra 2006, Gordo 2012). 

Reprodução

Sistema de acasalamento poligâmico (Gordo, 2012). Tempo de gestação (meses): 5,3 (Lottker et al. 2004).Tamanho da prole: A fêmea reprodutiva e dominante pode dar à luz um ou dois filhotes (gêmeos), até duas vezes por ano, média de 1,7 (SD = ± 0,42) (Gordo 2012). No entanto, há registros de nascimentos com três filhotes em cativeiro (Baker et al. 2009). 


Habitat e Distribuição

Distribuição Geográfica (Estados)

TO BA SE PE AL RN CE PI MA AP PA RR AM AC RO MT MS GO PR SC RS SP MG RJ ES DF PB

Endemismo

Saguinus bicolor é endêmico ao Brasil, ocorrendo no estado do Amazonas, onde é residente e nativo (Röhe 2006, Mittermeier et al. 2008). Apresenta distribuição geográfica restrita a parte dos municípios de Manaus, Rio Preto da Eva e Itacoatiara, cobrindo cerca de 7.500km² (Röhe 2006, Brasil/ICMBio 2011b). Atualmente, acredita-se que o limite de sua distribuição na direção leste seja a margem direita do rio Urubu (Röhe 2006); a oeste, está presente até as margens esquerdas dos rios Negro e Cuieiras (Röhe 2006, Gordo 2008); ao sul, seu limite de distribuição são os rios Negro e Amazonas (Röhe 2006, Gordo 2008); e, ao norte, assume-se como limite uma linha no sentido leste-oeste, passando pelas campinaranas na margem esquerda do rio Cuieras, pelo km 35 da BR-174 e pelos ramais Novo Milênio e ZF7, no município de Rio Preto da Eva (Röhe 2006, Gordo 2008). 

Habitat/Substrato

TERRESTRE


Ameaças

Fatores de Ameaça

As principais ameaças identificadas para o táxon foram: incêndios, assentamentos rurais, expansão urbana, predação por espécie doméstica (cães), desmatamento, desconexão de hábitat, redução de hábitat, poluição de ambientes e apanha. Fatores de impacto associados à rede viária, tais como atropelamentos e eletrocussão na rede de energia urbana (Gordo 2008, 2012, Gordo et al. 2013). Além disto, há perda de área de ocupação por expansão de Saguinus midas (Röhe 2006). De acordo com as estimativas feitas por Röhe (2006) e Röhe et al. (2008), a espécie vem sofrendo uma perda de hábitat anual de quase 250km², tendo sido calculada uma perda por desmatamento de 200km², agravada pela perda para S. midas estimada em 44km². Infere-se, portanto, que no intervalo de três gerações (18 anos) ocorra uma redução de 4.392km² (= 244km² x 18 anos). A extensão de ocorrência da espécie foi estimada em 7.500km² (Röhe 2006, Subirá 1998, Brasil/ ICMBio 2011b), entretanto, acredita-se que esta perda de hábitat estimada tenha maior relação com a perda na área de ocupação (que certamente é menor que 7.500km²) e na qualidade do hábitat e, por isso, suspeita-se que a espécie venha sofrendo uma redução populacional de pelo menos 80%, considerando-se a redução de hábitat estimada aliada às outras ameaças identificadas para a espécie.


Usos, Manejo e Conservação

Manejo

Desde 2002 o Projeto Sauim-de-Coleira, desenvolvido pela UFAM, vem levantando e mapeando populações de S. bicolor em diferentes regiões de sua distribuição geográfica, realizando ações de manejo de animais e da vegetação (através do enriquecimento de áreas degradadas com espécies arbóreas nativas), e, eventualmente, realizando resgate de animais em situação de risco ou provenientes de cativeiro. Em 2010, o IPÊ iniciou uma parceria com a Secretaria Municipal de Educação, inserindo atividades de educação ambiental com foco no sauim-de-coleira no calendário escolar das escolas da RDS do Tupé, realizando atividades em sala de aula e em trilhas interpretativas com alunos entre a 5º e 9º séries do ensino fundamental. Em 2011, o CPB/ICMBio, o CEPAM/ICMBio, a WCS e a UFAM, iniciaram ações em parceria com objetivo de ampliar o conhecimento sobre a ocorrência, distribuição geográfica e status de conservação de S. bicolor. Estas ações fazem parte do projeto Primatas Amazônicos: pesquisa e manejo para conservação de espécies ameaçadas. Em 2012, o CEPAM/ICMBio, em parceria com a UFAM, o INPA, e o CPB/ICMBio, iniciou o projeto Pesquisa e fiscalização para a conservação de uma espécie ameaçada – contribuições ao Plano de Ação Nacional do Sauim-de-Coleira, que visa promover o fortalecimento de planos de manejo de UC, a identificação de atividades inadequadas a conservação, e o incremento de ações de fiscalização em áreas com ocorrência de S. bicolor. A ONG Sapeca vem desenvolvendo estudos sobre conectividade e situação fundiária ao longo da distribuição geográfica da espécie, visando subsidiar a implementação das estratégias traçadas no PAN Sauim-de-coleira. 

Presença em Unidades de Conservação

Amazonas: Reserva Ecológica Sauim-Castanheiras (95ha) (Rylands & Bernardes 1989, Egler 1993, Brasil/ICMBio 2011b), APA Reserva Florestal Adolfo Ducke (10.000ha) (INPA) (Egler 1993, Rylands et al. 1993, Vidal & Cintra 2006, Rodrigues & Vidal 2011, Brasil/ICMBio 2011b, Gordo 2012), Reserva Florestal Walter Alberto Egler (630ha) (INPA) (Egler 1993, Brasil/ICMBio 2011b), RPPN Nazaré das Lajes e Lajes (52ha) (Vasconcelos et al. 2005), Parque Municipal do Mindu (33ha), Parque Municipal Nascentes do Mindu, Parque Estadual Sumaúma (51ha), RDS Puranga Conquista (257.422ha), APA Tarumã - Ponta Negra, APA Margem Esquerda do Rio Negro – Setor Tarumã Açu/Tarumã Mirim, APA Margem Esquerda do Rio Negro – Setor Aturiá –Apuauzinho, RPPN Reserva Honda, RPPN Nazaré das Lajes, RPPN Reserva dos Buritis, RPPN Águas do Gigante, RPPN Sócrates Bomfim, RDS do Tupé, RPPN Norikatsu Myamoto, RPPN Sítio Bons Amigos, RPPN Bela Vista, RPPN Laço de Amor, Centro de Instrução de Guerra na Selva (CIGS), Campus da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) (Brasil/ICMBio 2011b, Gordo 2012). Também ocorre no Centro de Instrução de Guerra na Selva (CIGS), Parque Florestal Clube do Trabalhador – SESI.010). 

Plano de Ação

Em 1998, foi estabelecido pelo IBAMA o Grupo de Trabalho (GT) para Conservação e Manejo do Saguinus bicolor, formado por diversas instituições e especialistas, com objetivo de traçar estratégias para pesquisa, manejo, e proteção do sauim-de-coleira, visando estabelecer uma população geneticamente sustentável (Portaria Nº 1.588/1998). Como parte das atividades desse GT, foi estabelecido um programa de reprodução em cativeiro, cujo mais recente Studbook (Baker et al. 2009) indica que a população cativa em instituições credenciadas era de 172 animais, sendo 74 machos adultos, 71 fêmeas adultas e 27 filhotes com sexo ainda desconhecido. Tal população é originária principalmente de duas colônias estabelecidas na década de 1980, uma no Centro de Primatologia do Rio de Janeiro (CPRJ-FEEMA) e a outra na Universidade de Bielefeld, Alemanha. Em 2004, esse GT foi transformado no Comitê Internacional para a Conservação e Manejo do Sauim-de-Coleira pela Portaria Nº 04-N/2004. Com a revisão dos Comitês voltados à conservação de primatas em 2005, o sauim-de-coleira passou a ser abordado por um grupo com escopo mais amplo, o Comitê Internacional para Conservação e Manejo dos Primatas Amazônicos, instituído pela Portaria Nº 82/2005. Já dentro do planejamento estratégico para a conservação de espécies ameaçadas de extinção estabelecido pelo ICMBio, em 2011 foi elaborado o Plano de Ação Nacional para a Conservação do Saguinus bicolor – PAN Sauim-de-coleira (Brasil /ICMBio 2011a, 2011b). Nesse PAN foram elencadas 38 ações para atingir sete metas, que visam alcançar o objetivo estabelecido de garantir pelo menos oito populações viáveis de Saguinus bicolor, reduzindo sua taxa de declínio populacional e assegurando áreas protegidas para a espécie, em cinco anos. Com base em análises de viabilidade populacional realizadas especialmente para embasar este PAN (Ivan B. Campos e colaboradores, em prep.), estão sendo consideradas populações viáveis aquelas com pelo menos 500 indivíduos ocupando áreas de ao menos 10.000 ha. A implementação desse PAN é acompanhada por um Grupo de Assessoramento Técnico composto por 13 profissionais, vinculados a instituições como ICMBio, IBAMA, INPA, UFAM, Ministério Público Federal, Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Manaus e Sociedade de Zoológicos do Brasil (Brasil/ ICMBio 2014). 


Referências

Referências

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Fonte das Informações

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Fonte das informações nomenclaturais e de distribuição por UF. Catálogo Taxonômico da Fauna do Brasil. Disponível em: <http://fauna.jbrj.gov.br/fauna/>


As informações das espécies são provenientes da Flora do Brasil 2020 em construção e do Catálogo Taxonômico da Fauna do Brasil.

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