Handroanthus albus (Cham.) Mattos


Nomenclatura e Classificação

Nome Científico

Handroanthus albus

Autoria

(Cham.) Mattos

Nome Comum

Ipê-Amarelo

Etimologia

O nome alba provém de albus (branco em latim) e é devido ao tomento branco dos ramos e folhas novas.

Sinônimo(s)

Tabebuia alba, Tecoma alba

Descrição Taxonômica

As árvores de Tabebuia alba possuem cerca de 30 metros de altura. O tronco é reto ou levemente tortuoso, com fuste de 5 a 8 m de altura. A casca externa é grisáceo-grossa, possuindo fissuras longitudinais esparas e profundas. A coloração desta é cinza-rosa intenso, com camadas fibrosas, muito resistentes e finas, porém bem distintas. Com ramos grossos, tortuosos e compridos, o ipê-amarelo possui copa alongada e alargada na base. As raízes de sustentação e absorção são vigorosas e profundas. As folhas, deciduais, são opostas, digitadas e compostas. A face superior destas folhas é verde-escura, e, a face inferior, acinzentada, sendo ambas as faces tomentosas. Os pecíolos das folhas medem de 2,5 a 10 cm de comprimento. Os folíolos, geralmente, apresentam-se em número de 5 a 7, possuindo de 7 a 18 cm de comprimento por 2 a 6 cm de largura. Quando jovem estes folíolos são densamente pilosos em ambas as faces. O ápice destes é pontiagudo, com base arredondada e margem serreada.
As flores, grandes e lanceoladas, são de coloração amarelo-ouro. Possuem em média 8X15 cm.
Quanto aos frutos, estes possuem forma de cápsula bivalvar e são secos e deiscentes. Do tipo síliqua, lembram uma vagem. Medem de 15 a 30 cm de comprimento por 1,5 a 2,5 cm de largura. As valvas são finamente tomentosas com pêlos ramificados. Possuem grande quantidade de sementes. As sementes são membranáceas brilhantes e esbranquiçadas, de coloração marrom. Possuem de 2 a 3 cm de comprimento por 7 a 9 mm de largura e são aladas.


História Natural

Forma de Vida

Árvore

Reprodução

A espécie é caducifólia e a queda das folhas coincide com o período de floração. A floração inicia-se no final de agosto, podendo ocorrer alguma variação devido a fenômenos climáticos. Como a espécie floresce no final do inverno é influenciada pela intensidade do mesmo. Quanto mais frio e seco for o inverno, maior será a intensidade da florada do ipê amarelo. As flores por sua exuberância, atraem abelhas e pássaros, principalmente beija-flores que são importantes agentes polinizadores. Segundo CARVALHO (2003), a espécie possui como vetor de polinização, a abelha mamangava (Bombus morio). As sementes são dispersas pelo vento. A planta é hermafrodita, e frutifica nos meses de setembro, outubro, novembro, dezembro, janeiro e fevereiro, dependendo da sua localização. Em cultivo, a espécie inicia o processo reprodutivo após o terceiro ano. 


Habitat e Distribuição

Distribuição Geográfica (Estados)

TO BA SE PE AL RN CE PI MA AP PA RR AM AC RO MT MS GO PR SC RS SP MG RJ ES DF PB

Habitat/Substrato

Terrícola


Ameaças

Brasil

https://cdn.sibbr.gov.br/img/especie/LC.png
Sistema de Classificação (IUCN 3.1)


Usos, Manejo e Conservação

Usos

A Tabebuia alba produz madeira de grande durabilidade e resistência ao apodrecimento (LONGHI,1995). Sendo pesada, com cerne escuro, adquire grande valor comercial na marcenaria e carpintaria. Também é utilizada para fabricação de dormentes, moirões, pontes, postes, eixos de roda, varais de carroça, moendas de cana, etc.  A entrecasca do ipê-amarelo possui propriedades terapêuticas como adstringente, usada no tratamento de garganta e estomatites. É também usada como diurético. O ipê-amarelo possui flores melíferas e que maduras podem ser utilizadas na alimentação humana. É comumente utilizada em paisagismo de parques e jardins pela beleza e porte. Além disso, é muito utilizada na arborização urbana. Segundo MOREIRA & SOUZA (1987), o ipê-amarelo costuma povoar as beiras dos rios sendo, portanto, indicado para recomposição de matas ciliares. MARTINS (1986), também cita a espécie para recomposição de matas ciliares da Floresta Estacional Semidecidual, abrangendo alguns municípios das regiões Norte, Noroeste e parte do Oeste do Estado do Paraná. A superfície da madeira é irregularmente lustrosa, lisa ao tato, possuindo textura media e grã-direita. Com densidade entre 0,90 e 1,15 grama por centímetro cúbico, a madeira é muito dura (LORENZI, 1992), apresentando grande dificuldade ao serrar. A madeira possui cheiro e gosto distintos. Segundo LORENZI (1992), o cheiro característico é devido à presença da substância lapachol, ou ipeína. A desrrama se faz muito bem e a cicatrização é boa. Sendo assim, dificilmente encopa quando nova, a não ser que seja plantado em parques e jardins. Ao ser utilizada em arborização urbana, o ipê amarelo requer podas de condução com freqüência mediana. Espécie heliófila apresenta a pleno sol ramificação cimosa, registrando-se assim dicotomia para gema apical. Deve ser preconizada, para seu melhor aproveitamento madeireiro, podas de formação usuais (INQUE et al., 1983).


Referências

Referências

ANDRADE, E. N. Contribuição para o estudo da Entomologia Florestal Paulista. Boletim Agric:.S. Paulo, 1998. 

CARVALHO, P.E.R. Espécies arbóreas brasileiras. Colombo: Embrapa Florestas, 2003. v.1

BARROSO, M.G. Sistemática de Angiospermas do Brasil. EDUSP. V.1, V.2, V3.

DURIGAN,G.; NOGUEIRA,J.C.B. Recomposição de matas ciliares. IF Série Registros, n.4, p.1-14, set.1990. 

ENGEL, V.L.; MORAIS, A.L. & POGGIANI, F. Guia de localização e reconhecimento das principais espécies arbóreas do Parque da Esalq. Relatório de Pesquisa. FEALQ. 1984.

INFORMATIVO CEPEA - SETOR FLORESTAL UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO • ESCOLA SUPERIOR DE AGRICULTURA"LUIZ DE QUEIROZ" Agosto, 2005 Nº 44

INOUE,M.T.; REICHMANN,F.; CARVALHO,P.E.R.; TORRES,M.A.V. A silvicultura de espécies nativas. Curitiba: FUPEF, 1983. 60p.

LAZARINI,R.A.M. Ipê amarelo. Disponível em: http://www.floraefauna.com/plantamesagosto.htm. Acesso em: 12/11/2005.

LOBELLO,M. Árvores no Brasil. São Paulo: Prêmio, 1992, v.2

LONGHI,R.A. Livro das árvores: árvores e arvoretas do Sul. 2.ed., Porto Alegre: L&PM, 1995, 176p.

LORENZI,H. Árvores brasileiras: manual de identificação e cultivo de plantas arbóreas nativas do Brasil. Nova Odessa: Plantarum, 1992, 382p.

LORENZI,H. A flor nacional. Rev.Época edição especial 500 anos, 2000. Disponível em : http://epoca.globo.com/especiais/rev500anos/planta.htm. Consultado em: 12/11/2005

MARITINS,S.S. Estudo do comportamento silvicultural de especies nativas em plantio de enriquecimento: nota previa. Maringa: Universidade Estadual, 1986. 20p.

MENDONÇA,R.C.; FELFILI,J.M.; WALTERS,B.M.T.; JÚNIOR,M.C.da S.; REZENDE,A.V.; FILGUEIRAS,T.S.; NOGUEIRA,P.E. Flora Vascular do bioma Cerrado. Diponível em: http://www.ibge.gov.br/home/geociencias/recursosnaturais/levantamento/floravascular. Acesso em: 12/11/2005.

MENEZES,A.F. A Craibeira. Disponível em: http://www.ima.al.gov.br/projeto_ima/leisestaduais/craibeira.htm. Acesso em: 12/11/2005

NOGUEIRA,J.C.B. Reflorestamento heterogêneo com essências indígenas. Boletim Técnico do Instituto Florestal, n.24, p.1-71, mar.1977.

KANO,N.K.; MARQUEZ,F.C.M.; KAGEYAMA,P.Y. 1978 Armazenamento de sementes de ipê dourado. IPEF, n.17, p.13-23, 1978.

PAULA, J.E.; ALVES, J.L.H. Madeiras nativas: anatomia, dendrologia, dendrometria, produção, uso. Brasília: Fundação Mokiti Okada, 1997. 541p.RIO GRANDE ENERGIA. Manual de Arborização. Disponível em: http://www.rge-rs.com.br/gestao_ambiental/arborizacao_e_poda/introducao.asp. Acesso em: 12/11/2005.

REYES, A.E.L. Trilhas da Esalq. Disponível em: http://www.esalq.usp.br/trilhas. Acesso em: 12/11/2005

RIZZINI, C.T. Árvores e Madeiras Úteis do Brasil. Manual de Dendrologia Brasileira. São Paulo: Editora Edgard Gomide Blucher. 1971.

ZIDKO, A. Coleópteros (insecta) associados as estruturas reprodutivas de espécies florestais arbóreas nativas no estado de São Paulo. Piracicaba, 2002, 43p. Tese (Mestrado) - Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz. Universidade de São Paulo.

Fonte das Informações

http://www.ipef.br/identificacao/tabebuia.alba.asp <Acesso em: 10/10/2016>  

Fonte das informações nomenclaturais e de distribuição por UF. Flora do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: <http://www.floradobrasil.jbrj.gov.br>
Fonte das informações sobre o status de ameaça. CNCFlora. Lista Vermelha da flora brasileira versão 2012.2 Centro Nacional de Conservação da Flora. Disponível em: <http://cncflora.jbrj.gov.br/>


As informações das espécies são provenientes da Flora do Brasil 2020 em construção e do Catálogo Taxonômico da Fauna do Brasil.

Ministerio da Ciencia, Tecnologia, Inovaçoes e Comunicaçoes