Ameivula littoralis Rocha, Araújo, Vrcibradic & Costa


Nomenclatura e Classificação

Nome Científico

Ameivula littoralis

Autoria

Rocha, Araújo, Vrcibradic & Costa

Nome Comum

Calango,  Lagarto-da-Cauda-Verde.


História Natural

Forma de Vida

Aquática-Bentos

Alimentação

Tem uma dieta variada com preferência por artrópodos, principalmente larvas e Isoptera (cupins), mas também pode se alimentar de vertebrados (Menezes et al., 2006).


Habitat e Distribuição

Endemismo

 Ameivula littoralis é endêmica Brasil, do bioma Mata Atlântica no estado do Rio de Janeiro, é espécie de hábitat-específico, ocorre apenas nas restingas da Marambaia, nos municípios de Barra de Maricá, Jurubatiba e Grussaí, sendo suas subpopulações completamente disjuntas.


Demografia

As quatro subpopulações ocorrem de forma disjunta e estão isoladas biológica e geneticamente. Além disso, as restingas onde ocorrem estão alteradas, possuindo uma área restrita. Sua tendência populacional é decrescente, considerando a crescente fragmentação e descaracterização do hábitat (perda da qualidade) na área de ocupação da espécie nos últimos anos, de acordo com estudos recentes (Menezes, 2008; Winck, 2012). Além do isolamento das subpopulações, suspeita-se que haja uma tendência de declínio da população. Em 2004 a densidade média estimada da população era cerca de 16 indivíduos/ha. Estima-se que nos últimos 10 anos tenha ocorrido uma redução de aproximadamente 50% do hábitat (área de ocupação) da espécie (Rocha et al., 2007). 


Ameaças

Fatores de Ameaça

Como para outras espécies do gênero, as subpopulações de A. littoralis sofrem com a destruição de seu habitat, visto que a restinga está sendo destruída na ultimas décadas para diferentes fins. A área de distribuição total da espécie é diminuta.  Apesar de Maricá abrigar uma das maiores densidades de A. littoralis, vale ressaltar que está sendo loteada, além de sofrer forte pressão para que extensas áreas sejam convertidas em um grande empreendimento de turismo de luxo (resort). Em uma das localidades com menor tamanho populacional (Grussaí), houve a implementação do Porto do Açú, o que reduziu ainda mais a área de ocupação da espécie. O único atenuante é o fato de uma das subpopulações estar “relativamente” protegida em um Parque Nacional (Jurubatiba). Entretanto, mesmo sendo uma espécie ameaçada (MMA, 2003; Machado et al., 2008), foi autorizada a construção de oleodutos da Petrobrás sobre a área onde a espécie era mais abundante. O estudo de Winck (2012) mostrou através da análise de probabilidade de extinção do sistema de fragmentos das restingas que as localidades de Grussaí e Maricá são as mais ameaçadas.


Usos, Manejo e Conservação

Presença em Unidades de Conservação

Área de Proteção Ambiental de Barra de Maricá.

Plano de Ação

A espécie ocorre na área de abrangência do Plano de Ação Nacional para a Conservação da Herpetofauna da Mata Atlântica do Sudeste, cuja aprovação está prevista para 2015 (Vivian Uhlig, comunicação pessoal, 2014).


Referências

Referências

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Fonte das Informações

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Fonte das informações nomenclaturais e de distribuição por UF. Catálogo Taxonômico da Fauna do Brasil. Disponível em: <http://fauna.jbrj.gov.br/fauna/>


As informações das espécies são provenientes da Flora do Brasil 2020 em construção e do Catálogo Taxonômico da Fauna do Brasil.

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